8.9.11

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Às vezes sinto-me quase tentada a pedir-te que me contes um segredo. Um segredo, mas não um qualquer. Simples, sim... porém,  incomensuravelmente valioso. Será que me poderias dizer como se tiram aqueles fantasmas de vestes escuras (não, não são brancas), que esvoaçam repetidamente na mente e dormem lá por eternidades? Alojam-se sem porquê, como parasitas que precisam dos teus sonhos e dos sorrisos que guardas, e teimam em cobrir as janelas com véus, exalando um cheiro tenebroso a mofo. Assim tece-se uma penumbra impensável, que te embacia os olhos e a luz parece não mais te chegar... nem existir.
No entanto, para ti, tudo parece ser mais simples que um mais um serem dois. E essa simplicidade que paradoxalmente, para mim, é tão complexa, é fascinante. Diria até: um tesouro. 

27.8.11

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« E agora tenho de te dizer algo que me dei conta só pouco a pouco, não acreditava nisso, negava diante de mim mesmo, tenho de te confessar esta surpresa e revelação terrível: tu e eu ainda continuamos a ser amigos. Parece que nenhuma força exterior pode mudar as relações humanas. Tu mataste algo em mim, destruíste a minha vida e eu continuo a ser teu amigo. »

Sándor Márai in As Velas Ardem Até Ao Fim

1.5.11

* Para os Leitores

Este texto é um pouco diferente do que antes fora aqui publicado. Não sei muito bem como começar isto, na verdade. Resumidamente, quero dar uma palavra a todos vós que estão desse lado: a quem me lê com frequência, a quem passa cá de vez em quando, a quem comenta, a quem não o faz apesar de ler... 
Passo períodos de tempo sem cá vir, publico coisas que sei que não são do interesse de muitos, escrevo o que bem me apetece (e preciso) e partilho música e citações que me são muito, que me preenchem de verdade. No entanto, tenho sempre quem me veja desse lado. Tenho sempre quem me siga, publicamente ou não. Tenho sempre quem me venha deixar as suas palavras de agrado e de conforto, mostrando receptividade e ternura. Eu sigo alguns blogues e, apesar de não comentar tanto quanto podia e queria, leio-vos também. E confesso: é com muito gosto e carinho que o faço. 
Em suma, este post é para vos dar umas humildes palavras de agradecimento - porque o merecem. Sei que não tenho muito jeito para estas coisas; sei que não arranjei o discurso de forma estonteante... mas fi-lo de uma forma honesta e, de acordo com os meus valores, é o que mais aprecio e o que de melhor sei dar.
Com carinho,

Jessica Ferreira.


12.4.11

* Geometria

Não sei se te guarde o lugar, já que não o visitas, ou se o faça desnascer, para depois sobrar só o espaço: geométrico. Uma mera divisão muda e vazia, para eu poder decorar e mobilar, ou então deixar que o façam. Só tens é que tirar tudo o que é teu de lá; eu também tenho que tirar a tua presença fantasma.


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