quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

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« Algum de vós, já acordou a pensar que hoje poderia morrer? Claro que não! Levantamo-nos, todos dias de manhã, com a convicção que somos eternos. E somos... Somos simbologicamente imortais (...) »


Dr. Daniel Serrão

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

* The birth and death of the day

Não tenho definição de espaço nem de tempo. Não tenho definição para mim… (era suposto?)
No entanto, acho que me perco e difundo por tais dimensões.


Está-me a fazer confusão. O quê? É uma pergunta sem resposta.

Dói-me. Imenso. E tende a não passar… Tenho a cabeça a rebentar com tantas estalactites e estalagmites… tantas formações de precipitados que me enjoam! Sinto o estômago completamente esfaqueado de tantas voltas que dou, nesta montanha-russa.
E estúpida, eu, teimo em apresentar-me como ferro. Pois bem: sou frágil e não aceito isso. Os outros também não aceitam e nunca ninguém me tratou como tal.

Despropositadamente (ou não) apresento-me sempre como controversa: sentimental, emotiva e, ainda assim, (pseudo-)resistente a todas as trovoadas e tempestades. Sem orgulho algum! Pronta a afundar-me com qualquer barco em que me tenha metido de livre vontade. Acabo sempre por vir à tona – sempre. Sou intragável, até para os tubarões!

Disponho-me, de peito a descoberto… sobre toda e qualquer bala dos meus entes. Não para me armar em heroína, não. A bala tem que acertar em alguém, invariavelmente… De tão exposta que me apresento – mais do que qualquer um – acaba por ser inevitável (ou não). É… Também não aceito que não sou à prova de bala. E cada vez que penso que acabarei destruída – que eu própria me acabarei por aniquilar! - e que esta minha correria, por tudo e por todos, tem que acabar, rendo-me perante mim.
Após sobreviver, volto ao mesmo. Apago quaisquer danos e memórias que restem de tais vivências e situações extremas – mas eles acabam sempre por ficar… a pesar e a pesar(-me).

Quais juramentos e promessas de quietude! Quebro tudo num instante ínfimo e imperceptível.
Estou cansada. De mim, também.

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

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- oh Jessica...
- hmm ?
- que estás a fazer ?
- a (tentar) ser feliz!







Vou lá fora num instante, dançar um bocadinho com a lua. Hoje não está a chover, senão dançava à chuva.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

* Soundtrack

A noite foi complicada. Negra, muito negra.
Abri o estore da janela por detrás da minha cama enquanto, ouvindo música e totalmente embrulhada no cobertor com as mãos geladas, contava as estrelas (in)existentes naquele céu.

Chorei por elas... chorei.

Às quatro da manhã, lá o coração sossegou e rendeu-se ao cansaço, expresso pelo meu corpo. Não quero mais nenhuma noite assim, não.

(E depois, apesar de tudo, há estas coisinhas muito doces e muito boas...)

Norah Jones & Joel Harrison - Tennesee Waltz

domingo, 24 de Janeiro de 2010

* Máscaras


Sou perita em máscaras. Ainda não te tinha dito?! (Hmm…)

Conheces a rua do malmequer? Há lá uma loja de máscaras, num sótão ao virar da esquina, mesmo ao lado da Torre de Chocolate. Sim!, aquela que tem a escada em forma de caracol de chantilly, onde tocam a clair de lune e servem chá de amora

Eu trabalho nessa loja de máscaras. As pessoas geralmente vão lá comprar uma e depois enfiam-se na Torre. (shh, é segredo.) Entristece-me porque elas acreditam que são realmente felizes, e não o são. As máscaras é que encenam tudo, simplesmente.

Lembras-te de eu te dizer que odiava máscaras? É por isso mesmo. Conheço-as a todas muito bem: o material de que são feitas, as suas peculiaridades, esquemas, funcionalidades… tanto que me repugnam! Mas não nego: às vezes, fazem mesmo milagres.

Já me ia esquecendo de te contar! Eu já estive na Torre de Chocolate uma vez… sem máscara alguma! Convidaram-me a entrar, eu aceitei… E foi bom.

O chá de amora é mesmo doce para o coração e não precisa nem de um cubinho de açúcar! Oferecem-te uma caixinha com aquelas bolachas e queques em miniatura que se desfazem na boca, antes de começarem a tocar a clair de lune, e depois… (oh, e depois!) Depois é só pó de estrelas a cair-te sobre a pele! Tu sorris e sorris; danças e danças; és feliz e feliz; vives vives e vives! E não te apetece sair de lá nunca mais. Mas a Torre fecha à meia-noite…

(Para que estou eu a contar-te isto? Tu sabe-lo! Foi contigo que fui lá.)

Acho que hoje vou lá, à loja, buscar uma máscara emprestada – temporariamente, prometo. E vou-me sentar ao lado da Torre, com a caixa das bolachas e dos queques em miniatura meia vazia e meia cheiavazia de ti, cheia de saudade.

Arranja-se sempre maneira de se (parecer) estar bem. Sempre.

As máscaras ajudam...

sábado, 23 de Janeiro de 2010

* Poeira

Odeio quando os rios decidem desabar todos nos meus olhos e trazem consigo o sal, arranhando-me o rosto. Fico com nódoas negras incrustadas e congestionada... Redimo-me e os joelhos beijam obrigatoriamente o chão, violados por este.

Vou despir-me disto. Tudo, tudo. Está-me a fazer comichão estes tecidos mal fabricados de mágoa... Estou de costas voltadas ao Mundo. Estou. Anulem-se os meus hemisférios e pólos - ridículos! Odeio-te, Mundo, por me teres tecido assim.

Traz-me uma caneca de chá de maçã e canela. Quente, quente! Tal como um sedativo doce...
Quero pérolas... os meus brincos de pérolas. Combino com o meu vestido de linho, leve... muito leve. (Para pesada, já basto eu.)
Vamos!, eu hoje não vou parar... Vou dançar contra ti, sim Mundo! Vou-te cansar, vou-te saturar, vou-te deixar exausto.

LIBERTA-ME! Ordeno-te, grito-te. Acaba contigo... Aniquila-te! Esmigalha-te, que assim levas-me contigo.

Porque agora, ir ou ficar, é-me igual. Aos pedaços ou intacta, corresponde-me ao mesmo. Estou em pó - por dentro.

Afinal de contas, o fim resume-se a isso mesmo: PÓ!

(Já nem sei se o vestido me ficará mais alguma vez bem...)

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

* Ameixa com sabor a perguntas difíceis


- Maninha, quero sair daqui num avião para bem longe!
- Eu quero voar pela janela...
- Mas assim vais cair!
- Cai-se todos os dias, meu amor. Ao menos caímos a fazer o que gostamos...
- O que é que nós somos ?
- Estrelas...
- Como as do céu ?
- Mais brilhantes... Quero acreditar que somos mais brilhantes!
- Então porque é que não estamos no céu ?
- Porque caímos aqui na Terra. Eu disse-te que se caia todos os dias...
- Dói ?
- Só de vez em quando...
- Deita muito sangue ?
- Não! Só lágrimas...
- Hmm... O que é que são as lágrimas ?
- Água.
- Porque é que respiramos ?
- Para viver.
- O que é viver ?
- Estar aqui contigo...
- Porque é que tens bochechas ?
- Para me dares beijinhos!
- Vão ser de sabão...
- Não é um sabão qualquer. É de ameixa... doce.
- O que é doce ?
- Tu...
- Porque é que existes ?
- Não sei. Um dia mais tarde falamos sobre isso... Vamos secar o cabelo e vestir o pijama, anda...

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

* Anabiose

Habituamo-nos a uma rotina. Temos medo da mudança e lidamos mal quando as coisas já não estão no local onde antes estavam... Rejeitamos o estranho e andamos perdidos se nos trocam os dias pelas noites. Temos um molde para tudo o que vimos, sentimos, conhecemos... E se aparece algo que lá não encaixe, forçamos o "novo" a co-existir com o "velho" deformando a ideia primária, ou quem sabe até partimos o molde mesmo, de vez!

Hoje acordei debruçada num cepo, com uma estaca a traçar-me o corpo. Acho que me estavam a tentar interiorizar a alma de novo, abrindo uma fenda por onde esta pudesse ser sugada.
Durante este tempo não esteve comigo e como tal desabituei-me. Supostamente ela não devia voltar... Sentia-me melhor, bem melhor, quando a (me) entreguei a outrem e a levaram sem contestação da minha parte.

E agora os meus anti-corpos rejeitam-na.

Geraram-se infecções, feridas profundas, arritmias cardíacas, colapsos respiratórios, hemorragias. E por fim, após tantas tentativas de reanimação, a anabiose chegou ao fim.

Estou em fase de recuperação... (Disseram que era capaz de levar algum - muito - tempo.)

- hey! you almost died today.
- yes... I almost died today.
(Grey's Anatomy)