Às vezes sinto-me quase tentada a pedir-te que me contes um segredo. Um segredo, mas não um qualquer. Simples, sim... porém, incomensuravelmente valioso. Será que me poderias dizer como se tiram aqueles fantasmas de vestes escuras (não, não são brancas), que esvoaçam repetidamente na mente e dormem lá por eternidades? Alojam-se sem porquê, como parasitas que precisam dos teus sonhos e dos sorrisos que guardas, e teimam em cobrir as janelas com véus, exalando um cheiro tenebroso a mofo. Assim tece-se uma penumbra impensável, que te embacia os olhos e a luz parece não mais te chegar... nem existir.
No entanto, para ti, tudo parece ser mais simples que um mais um serem dois. E essa simplicidade que paradoxalmente, para mim, é tão complexa, é fascinante. Diria até: um tesouro.


